MECOWIO Project
From physics and biogeochemistry to top predators connecting the Mnazi-Ruvuma, Quirimbas, Bazaruto, and iSimangaliso MPAs of the WIO region.
MECOWIO é um projeto concebido para investigar a conectividade multi-ecossistema no Canal de Moçambique, integrando física oceânica, biogeoquímica e ecologia de predadores de topo. O foco principal é compreender como fatores combinados — como o escoamento do rio Zambeze, a dinâmica de redemoinhos e dipolos, e eventos extremos (ondas de calor marinhas e ciclones tropicais) — influenciam a resiliência de espécies icónicas e os serviços ecossistémicos em quatro Áreas Marinhas Protegidas (Mnazi-Ruvuma, Quirimbas, Bazaruto e iSimangaliso).
Moçambique e a região do Oceano Índico Ocidental enfrentam lacunas críticas de conhecimento sobre o papel do Zambeze na produtividade oceânica e na conectividade ecológica. O MECOWIO surge como resposta a esta necessidade, propondo campanhas de amostragem física e biogeoquímica, modelação numérica com CROCO-PISCES e rastreamento de predadores marinhos, para validar hipóteses sobre fluxos de nutrientes, transporte de partículas e vulnerabilidade dos ecossistemas costeiros.
O projeto será implementado em colaboração entre a Universidade Eduardo Mondlane e parceiros regionais e internacionais, com atividades que incluem a criação de um laboratório de biogeoquímica marinha, participação em cruzeiros oceanográficos e uso de tecnologias de observação costeira de baixo custo.
Além da componente científica, o MECOWIO terá impacto direto na gestão de recursos e conservação marinha, fornecendo evidências para políticas de sustentabilidade, fortalecendo capacidades institucionais e promovendo cooperação transfronteiriça. Alinha-se com estratégias regionais de economia azul e conservação, posicionando Moçambique como líder na investigação aplicada ao desenvolvimento sustentável das zonas costeiras.
- 5.12.2025 – Lançamento do projeto MECOWIO (formato virtual). Parceiros regionais e internacionais reuniram-se para definir prioridades e alinhar atividades.
- 18.03.2026 – Publicado relatório sobre “Fenorregiões identificadas no Sudoeste do Oceano Índico com base em florações de clorofila‑a“.
WP 1 – Contribuição do Rio Zambeze
Realizar amostragens mensais de água no delta do R. Zambeze e Sofala Bank.
Medir fluxos de nutrientes, elementos traço e carbono.
Monitorar plâncton e conectividade até predadores de topo.
Instalar e operacionalizar um laboratório de biogeoquímica marinha.
Analisar amostras de cruzeiros oceanográficos para compor séries.
WP 2 – Papel dos Vortices e Dipolos
Usar resultados do WP1 e simulações CROCO-PISCES para identificar fontes de nutrientes.
Quantificar transporte costeiro norte-sul ao longo da costa moçambicana.
Avaliar transporte de nutrientes da costa para as ilhas dispersas (Bassas da Índia, Europa).
Aplicar ferramentas de rastreamento lagrangiano (Ichthyop, Pyticle) para partículas e plâncton.
Validar modelos com observações in situ (Argo floats, COLaB, boias de deriva).
WP 3 – Vulnerabilidades a Eventos Extremos
Avaliar impactos de ondas de calor marinhas e ciclones tropicais em recifes, mangais e pescarias.
Monitorar alterações na distribuição de espécies e produtividade pesqueira.
Conduzir estudos de curto, médio e longo prazo sobre recuperação pós-eventos.
Integrar dados de campo e modelação para prever riscos futuros.
WP 4 – Impacto em Espécies Icónicas
Investigar efeitos da física e química oceânica em tubarões-baleia, raias manta, corais e tartarugas.
Realizar rastreamento por satélite de predadores marinhos.
Relacionar abundância de presas com padrões de circulação e nutrientes.
Avaliar implicações para conservação e gestão de Áreas Marinhas Protegidas.